Tem o perfeito tamanho a escrita e a sua vontade, já o tempo e o seu dispor, outro.
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| Palabra! 1999 - Edi Silva |
Não se basta à ideia ser pensada, tem que se fazer imagem e ocupar espaço, seja na imaginação alheia ou no oculto do limbo ciberespacial. A ideia construiu a palavra no grito imagético da mente; sonoramente surda obrigou o corpo a representá-la aos berros, e no movimento dos membros descreveu-se em gestos, e do gestual mamulengo descobriu-se em objetos. Riste em dedos tudo nomeou (ou seria denominou, ao "nominar" com dedos) e o todo captado, representou. Pau, pedra, céu, chão, rio, regato, mar, montanha, planície, planalto, bicho... pau, pedra, céu... Ah! A ideia não se basta, tem que representar. A ideia cria a imagem para a si mesmo permitir o vislumbre, afinal, a ideia é que importa. Importa dos desejos, das vontades, dos anseios, dos sentidos, dos sentimentos, das sensações tudo o que é preciso e necessário para idealizar.
Ideia se faça imagem! Disse a ideia para si, de modo surdo, para que o corpo compreendesse em abstinência de barulhos a ordem e conscienciosamente consentisse em realizá-la. Corpo calado atira-se em gestos contra a rija lito-superfície, baforando a poeira volante contra a indefesa extremidade de seus membros superiores, ideia se firmou em registro e assim se manteve.
Corpo se afastou, mirou com olhos desconfiados o grafismo estanque e ideia reconhecendo-se pensou:
"No início era a ideia e esta se fez imagem".
Regozijou-se a ideia e resolveu: "A ideia é imagem; a imagem é a palavra da ideia; logo, a palavra é a ideia da imagem".

Bela reflexão, valiosa conclusão, caríssimo!
ResponderExcluirGostei muito, parabéns pela "inauguração"do blog em alto estilo...
beijos