quarta-feira, 13 de junho de 2018

A Dor da felicidade ou a felicidade da Dor...

Eis que de um comentário na publicação de uma querido e vivaz aluno surge uma reflexão e a ideia (re)tornou, uma vez mais, em palavras.




No original de 

Fernando Gil
Reflexão a propósito do dia dos namorados....
Vc se ama a vc mesmo(a)?
(o que significa amar-se?)
O meu propósito foi discorrer sobre a ideia de que o outro " nos completa"e só assim "sou feliz, bem feliz..." Refletir é olhar-se no espelho, no mais profundo do olhar e encontrar em si o Amor, e só assim poder compartilhá-lo. Ah, o amor (com minúsculas) tbm tem que ser encontrado dentro, primeiro, para depois compartilhar.
A resposta de Fernando Gil: Gosto em "re-escutá-lo" Prof.! Infelizmente, estamos muito ocupados a olhar para fora, procurando no lugar errado, algo ou alguém que nos complete, satisfaça...é uma doença da civilização. O tesouro, o Amor, que falou, está dentro de nós!
Estamos vivenciando uma cultura da felicidade, justificando tudo a partir da busca pela felicidade constante... o que é uma "armadilha", The Happiness Trap é um livro que vai construir e ou desmistificar o anseio por ser feliz à qq custo, o quase, já que 'ninguém' quer pagar o preço da Dor para poder encontrar sua felicidade. Como iniciei minha pesquisa sobre a dor direto com Arthur Schopenhauer, cito-o:
“A vida humana transcorre, portanto, toda inteira entre o querer e o conquistar. O desejo, por sua natureza, é dor: a satisfação bem cedo traz a saciedade. O fim não era mais que miragem: a posse lhe tolhe o prestígio; o desejo ou a necessidade novamente se apresentam sob outra forma, que do contrário bem o nada, o vazio, o tédio(…)”

Apresenta uma colocação semelhante e resumida, o autor do best-seller The Happiness Trap:

“Quanto mais tentarmos evitar a realidade básica de que a vida humana envolve dor, mais nós teremos que lutar contra a dor quando ela aparecer, o que vai criar ainda mais sofrimento” (Russ Harris)."

Assim seguimos a vida, cheios de amor, correndo atrás do próprio rabo, onde vive a felicidade!(?)

Sou grato ao Verbo por permitir transformar a ideia nas palavras!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

É chegada a hora da palavra

Tem o perfeito tamanho a escrita e a sua vontade, já o tempo e o seu dispor, outro.

Palabra! 1999 - Edi Silva
Não se basta à ideia ser pensada, tem que se fazer imagem e ocupar espaço, seja na imaginação alheia ou no oculto do limbo ciberespacial. A ideia construiu a palavra no grito imagético da mente; sonoramente surda obrigou o corpo a representá-la aos berros, e no movimento dos membros descreveu-se em gestos, e do gestual mamulengo descobriu-se em objetos. Riste em dedos tudo nomeou (ou seria denominou, ao "nominar" com dedos) e o todo captado, representou. Pau, pedra, céu, chão, rio, regato, mar, montanha, planície, planalto, bicho... pau, pedra, céu... Ah! A ideia não se basta, tem que representar. A ideia cria a imagem para a si mesmo permitir o vislumbre, afinal, a ideia é que importa. Importa dos desejos, das vontades, dos anseios, dos sentidos, dos sentimentos, das sensações tudo o que é preciso e necessário para idealizar.

Ideia se faça imagem! Disse a ideia para si, de modo surdo, para que o corpo compreendesse em abstinência de barulhos a ordem e conscienciosamente consentisse em realizá-la. Corpo calado atira-se em gestos contra a rija lito-superfície, baforando a poeira volante contra a indefesa extremidade de seus membros superiores, ideia se firmou em registro e assim se manteve.

Corpo se afastou, mirou com olhos desconfiados o grafismo estanque e ideia reconhecendo-se pensou:

"No início era a ideia e esta se fez imagem".

Regozijou-se a ideia e resolveu: "A ideia é imagem; a imagem é a palavra da ideia; logo, a palavra é a ideia da imagem".